As identidades não humanas estão ganhando espaço nos ambientes corporativos. Aplicações, APIs, contas técnicas, automações, workloads e agentes de IA acessam dados, interagem com sistemas e executam tarefas em nome da organização.
A questão é que muitos desses acessos acontecem sem a participação direta de uma pessoa.
Com agentes de IA assumindo atividades cada vez mais complexas, a pergunta de segurança deixa de ser apenas “quem tem acesso?”. Também é preciso saber qual máquina, aplicação ou agente pode agir, com quais privilégios e para executar qual ação.
Esse novo cenário amplia o conceito de identidade digital e exige uma evolução na forma como as empresas controlam acessos.
O que são identidades não humanas?
Identidades não humanas, ou Non-Human Identities (NHIs), são identidades digitais utilizadas por máquinas, aplicações e processos para se autenticar e acessar recursos tecnológicos.
Estão nessa categoria:
- contas de serviço;
- APIs e tokens;
- aplicações e workloads;
- automações;
- bots;
- agentes de IA.
Uma dessas identidades pode consultar uma base de dados, acessar um sistema corporativo ou até modificar recursos de infraestrutura.
Por isso, o nível de risco não depende de a identidade ser humana ou não. O que importa é a autoridade que ela possui dentro do ambiente.
Por que os agentes de IA aumentam esse desafio?
Agentes de IA adicionam um componente importante: autonomia. Uma automação tradicional costuma executar ações previamente definidas. Um agente pode receber um objetivo, consultar diferentes fontes, escolher etapas intermediárias, utilizar ferramentas e interagir com vários sistemas até concluir uma tarefa.
Quanto maior essa capacidade, maior a importância de limitar e monitorar seus privilégios. Se um agente tiver acesso simultâneo a dados de clientes, CRM, e-mail e sistemas internos, por exemplo, uma única identidade passa a conectar diferentes partes da operação.
Isso torna a rastreabilidade essencial. A organização precisa conseguir responder:
Quem iniciou a atividade? Qual agente executou a ação? Quais sistemas foram acessados? Quais permissões foram utilizadas?
Sem essa visibilidade, investigar comportamentos indevidos ou incidentes torna-se muito mais difícil.
Identidade já faz parte da superfície de ataque
Atacantes também estão explorando cada vez mais credenciais e relações legítimas de confiança.
O CrowdStrike 2026 Threat Hunting Report aponta ataques direcionados a identidades, ambientes cloud, aplicações SaaS, serviços de IA e cadeias de software.
O relatório registrou ainda um crescimento de 15 vezes nas tentativas mensais de device code phishing durante o período analisado. Em outra campanha, quase 200 mil requisições de API foram realizadas em apenas dois minutos para utilização indevida de recursos de IA.
O cenário reforça um ponto importante: uma credencial válida pode ser tão valiosa para um invasor quanto uma vulnerabilidade técnica.
E, quanto mais máquinas e agentes recebem autoridade para agir, maior precisa ser a visibilidade sobre essas identidades.
O risco das permissões que ninguém acompanha
Muitas organizações já possuem centenas ou milhares de identidades técnicas distribuídas entre aplicações, cloud, APIs e automações.
Algumas permanecem ativas por anos. Outras utilizam credenciais compartilhadas ou mantêm permissões que deixaram de ser necessárias.
Agentes de IA podem ampliar esse problema caso sejam incorporados sem uma estratégia de governança.
Uma identidade criada para uma atividade específica pode continuar com acesso privilegiado mesmo depois que aquela necessidade deixou de existir.
Por isso, proteger identidades não humanas começa por algo básico: descobrir quais delas existem, onde estão e o que podem fazer.
O inventário deve identificar proprietário, finalidade, recursos acessíveis e nível de privilégio. Dessa forma, a empresa consegue diferenciar acessos realmente necessários daqueles que apenas aumentam sua superfície de risco.
Como proteger identidades humanas e não humanas?
A estratégia precisa conectar diferentes disciplinas de segurança.
- O IAM (Identity and Access Management) estrutura autenticação, autorização e ciclo de vida das identidades. Sua abrangência deve incluir pessoas, aplicações, contas técnicas e agentes.
- O PAM (Privileged Access Management) controla os acessos de maior impacto, reduzindo permissões permanentes e ajudando a aplicar princípios como menor privilégio e acesso just-in-time.
- Já a machine identity atua sobre certificados, chaves, tokens e outros mecanismos utilizados para estabelecer confiança entre sistemas.
- O Zero Trust complementa esse modelo ao evitar confiança automática baseada apenas em uma credencial válida. Cada acesso deve considerar contexto, risco e necessidade.
Para agentes de IA, isso significa conceder somente as permissões necessárias para a atividade que será executada.
Esses controles também precisam estar conectados ao monitoramento contínuo. Uma identidade legítima pode ser comprometida ou começar a apresentar comportamentos incompatíveis com sua função.
Logs, telemetria e mecanismos de detecção ajudam a identificar esses desvios e reconstruir o caminho de uma ação quando necessário.
Da gestão de usuários para a gestão de identidades
Por muito tempo, os programas de identidade corporativa foram desenvolvidos principalmente em torno de pessoas. Esse modelo já não representa a realidade dos ambientes digitais.
Aplicações executam processos críticos. APIs conectam serviços. Automações movimentam informações. Agentes de IA começam a tomar decisões e agir em diferentes sistemas. Todos eles precisam de algum tipo de autoridade.
A evolução da segurança de identidade passa, portanto, por tratar humanos e não humanos dentro de uma estratégia integrada de acesso, privilégio e monitoramento.
A Axians apoia organizações na evolução de suas estratégias de cibersegurança e gestão de identidades, conectando IAM, PAM, Zero Trust e monitoramento a uma arquitetura orientada por risco.
Sua estratégia de identidade já considera usuários que não são humanos?
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Perguntas frequentes sobre identidades não humanas
O que são identidades não humanas?
São identidades digitais utilizadas por aplicações, APIs, contas técnicas, workloads, automações e agentes de IA para acessar sistemas e recursos.
Como proteger identidades não humanas?
A proteção envolve inventário, gestão de credenciais, menor privilégio, IAM, PAM, machine identity, Zero Trust e monitoramento contínuo.
Por que agentes de IA exigem mais controle de identidade?
Porque podem acessar diferentes sistemas e executar ações com maior autonomia, exigindo controle de privilégios e rastreabilidade sobre cada atividade realizada.