Por Carla Carvalho, Managing Director da Axians no Brasil

O mercado de tecnologia continua crescendo, mas começa a dar sinais claros de amadurecimento.

O estudo Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências 2026, apresentado em abril de 2026 pela Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), com dados da IDC, mostra que o mercado brasileiro de TI cresceu 18,5% em 2025 e deve avançar 5,3% em 2026. Mais do que uma desaceleração, a leitura apresentada pela entidade aponta para um ambiente de investimentos mais seletivos, com maior atenção à eficiência e ao impacto para o negócio.

Esse movimento conversa diretamente com algo que temos observado na Axians.

As organizações continuam investindo em infraestrutura, segurança, cloud, dados, automação e inteligência artificial. O que mudou foi a complexidade da decisão.

Hoje, dificilmente uma dessas frentes pode ser analisada de maneira completamente isolada. Uma iniciativa de IA depende de dados, arquitetura, segurança e governança. A modernização da infraestrutura precisa considerar o que acontecerá depois da implementação. Uma estratégia de automação só gera valor quando está conectada a processos que fazem sentido para o negócio.

É por isso que estamos mudando também a maneira como a Axians vai ao mercado.

Não estamos mudando o que entregamos. Estamos mudando o ponto de partida da conversa.

Em vez de apresentar ao cliente uma soma de soluções, passamos a olhar para sua jornada de transformação digital: entender o cenário, identificar oportunidades, definir o caminho, implementar e acompanhar a evolução do ambiente.

Esse olhar se torna ainda mais importante porque não existe uma jornada única. Organizações de transporte, utilities, governo, saúde, educação, varejo ou serviços podem enfrentar desafios semelhantes, mas estão em momentos completamente diferentes de maturidade tecnológica.

E isso muda a resposta que cada uma precisa receber.

Na prática, vemos clientes chegarem até nós com uma necessidade bastante específica. Muitas vezes, ela é exatamente o que precisa ser resolvido. Em outras, quando analisamos o ambiente de forma mais ampla, identificamos questões anteriores ou oportunidades que mudam a ordem das prioridades.

É aí que o papel de um parceiro de tecnologia precisa ir além da implementação.

Consultoria, implementação e operação não são três conversas independentes. Fazem parte de uma mesma jornada. Entender o contexto antes de decidir, executar com segurança e acompanhar performance, governança e evolução depois da entrega são dimensões do mesmo desafio.

O avanço da inteligência artificial reforça essa discussão. O Global AI Pulse Q2 2026, divulgado pela KPMG International em 24 de junho de 2026, após ouvir 2.145 líderes seniores em 20 mercados, mostra que as organizações avançam da experimentação para uma etapa em que custo, capacidade de escala, governança e geração de valor ganham cada vez mais peso nas decisões.

Talvez essa seja uma boa síntese do momento que estamos vivendo.

O mercado não deixou de precisar de tecnologia. Pelo contrário. Mas, à medida que as possibilidades aumentam, cresce também a necessidade de conectá-las a uma visão mais ampla do negócio.

É esse movimento que queremos reforçar na Axians: estar ao lado do cliente não apenas no momento de escolher ou implementar uma tecnologia, mas ao longo de sua evolução, conectando estratégia e execução e ajudando a transformar desafios tecnológicos em valor para o negócio.

Porque transformação digital não acontece em uma solução.

Acontece ao longo de uma jornada.