O ROI em projetos de IA começa a ser discutido antes mesmo de uma iniciativa chegar à produção. Depois de investir em experimentação, as empresas precisam decidir quais aplicações merecem novos recursos e como justificar essa escolha diante da liderança. Um piloto pode apresentar resultados técnicos promissores e ainda deixar dúvidas sobre seu custo operacional, sua adoção pelas equipes e o benefício que entrega ao negócio.

Para o CIO, essa cobrança amplia a responsabilidade sobre a agenda de inteligência artificial. Além de viabilizar aplicações, é preciso comparar investimentos, acompanhar resultados e identificar quando uma iniciativa deve mudar de direção. O orçamento destinado à IA disputa espaço com segurança, cloud, infraestrutura e modernização de sistemas, todas com demandas relevantes para a operação.

Nesse contexto, o retorno sobre investimento passa a orientar a continuidade dos projetos. A avaliação precisa começar com um problema definido, uma referência de desempenho e critérios que permitam reconhecer valor ao longo da implementação.

A adoção de IA ainda deixa perguntas sobre os resultados

O estudo Firm Data on AI, publicado pelo NBER, ouviu quase 6 mil executivos de empresas nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Austrália. Embora 69% das organizações pesquisadas utilizassem IA, os participantes relataram pouco impacto sobre produtividade e emprego nos três anos anteriores. O resultado descreve a percepção dos executivos naquele período e reforça a necessidade de investigar como o uso se traduz em desempenho. NBER

A passagem dos experimentos para a operação também exige atenção. Segundo o relatório State of AI in the Enterprise 2026, da Deloitte, apenas 25% das organizações da amostra global haviam colocado em produção 40% ou mais dos seus experimentos de IA. Entre as empresas brasileiras pesquisadas, 23% atingiram esse patamar, enquanto 58% haviam implementado no máximo 20% dos pilotos. deloitte.com

Esses dados ajudam a contextualizar o desafio de gestão. Ao revisar seu portfólio, o CIO precisa entender o que impede cada projeto de avançar: limitações nos dados, dificuldades de integração, baixa adesão dos usuários ou uma relação desfavorável entre custo e benefício.

Em artigo publicado na CIO, Tal Carmi organiza essa evolução em três dimensões: adoção, controle de orçamento e comprovação de retorno. A proposta destaca a necessidade de administrar a IA com a mesma disciplina aplicada aos demais investimentos corporativos. CIO

Como medir o ROI em projetos de IA

O ROI relaciona o benefício financeiro líquido de uma iniciativa ao investimento realizado. Para calculá-lo, custos e benefícios devem considerar o mesmo período de análise:

ROI (%) = [(benefícios financeiros atribuíveis à IA − custo total do projeto) ÷ custo total do projeto] × 100

A fórmula depende de escolhas anteriores à implementação. É necessário definir qual resultado será medido, como ele será convertido em valor financeiro e quais evidências permitirão atribuir a melhoria à IA.

Defina o problema e registre o desempenho atual

Um projeto voltado à análise de documentos, por exemplo, pode buscar reduzir o tempo de processamento e o retrabalho. Antes do piloto, a empresa precisa registrar o volume analisado, o tempo médio por documento, a taxa de erros e o esforço dedicado à revisão.

Esse registro forma o baseline, a referência usada para comparar o desempenho após a implementação. A comparação deve considerar condições semelhantes, observando mudanças no volume, na complexidade das demandas e na equipe envolvida.

Também é necessário nomear um responsável pelo resultado na área de negócio. A TI pode acompanhar a solução, mas a validação do benefício depende de quem conhece e administra o processo.

Conecte métricas técnicas ao efeito financeiro

A avaliação deve acompanhar três níveis complementares:

  • Técnico: qualidade das respostas, latência, disponibilidade e frequência de falhas.
  • Operacional: tempo de execução, retrabalho, volume processado e adoção pelos usuários.
  • Financeiro: custo por tarefa concluída, despesas evitadas e margem adicional atribuível à iniciativa.

A relação entre esses níveis merece atenção. Uma resposta mais rápida pode exigir revisão extensa e aumentar o custo final da atividade. Da mesma forma, horas liberadas só representam economia financeira quando há redução efetiva de despesas. Se forem usadas para absorver mais demanda, o benefício deve ser registrado como capacidade adicional e avaliado conforme seu aproveitamento.

Essa distinção torna a defesa do investimento mais consistente e evita contabilizar a mesma melhoria duas vezes.

O custo total vai além do modelo

Licenças e consumo de tokens representam apenas parte do investimento. A análise precisa incluir preparação dos dados, integrações, infraestrutura, segurança, capacitação, supervisão humana e manutenção da aplicação.

O piloto também deve revelar como esses custos se comportam com o aumento do uso. Uma aplicação economicamente viável para um pequeno grupo pode exigir uma arquitetura diferente quando passa a atender várias áreas.

Por isso, o custo por tarefa concluída com qualidade é uma referência útil. Ele permite avaliar o consumo tecnológico junto ao esforço de revisão e correção necessário para entregar um resultado aproveitável.

A arquitetura influencia diretamente essa conta. A escolha do modelo, o dimensionamento dos recursos e a forma de acessar os dados devem acompanhar a complexidade da atividade. Esse trabalho precisa envolver as equipes de tecnologia e negócio desde o desenho da solução.

Quando escalar, reformular ou encerrar uma iniciativa

Os critérios de continuidade devem ser definidos antes do piloto, com metas, prazo de avaliação, limite de investimento e requisitos mínimos de qualidade e segurança.

Ao final de cada etapa, a decisão pode seguir três caminhos:

  • Escalar: quando há benefício comprovado, adoção suficiente e projeção de custos compatível com a expansão.
  • Reformular: quando o caso de uso mantém potencial, mas depende de ajustes no processo, nos dados ou na arquitetura.
  • Encerrar: quando as evidências indicam benefício insuficiente, risco incompatível ou ausência de um caminho viável de melhoria dentro dos limites definidos.

Projetos exploratórios podem ter um horizonte maior para demonstrar retorno. Nesses casos, a continuidade deve se apoiar em hipóteses verificáveis, aprendizado documentado e etapas de decisão. Isso permite financiar a descoberta com clareza sobre o que o próximo investimento precisa comprovar.

A gestão do portfólio fortalece a decisão do CIO

Avaliar cada projeto isoladamente dificulta identificar duplicidades e dependências compartilhadas. Diferentes áreas podem contratar ferramentas semelhantes ou desenvolver aplicações que exigem a mesma preparação de dados.

Uma visão de portfólio permite comparar valor esperado, viabilidade, risco, custo total e tempo para alcançar resultados. Também ajuda a reconhecer investimentos estruturantes, como integração e qualidade dos dados, que apoiam vários casos de uso.

Governança, segurança e infraestrutura fazem parte dessa avaliação. Permissões adequadas, registros de execução e monitoramento de consumo ajudam a acompanhar o uso e investigar desvios. Dados confiáveis e ambientes bem dimensionados reduzem dificuldades que podem comprometer o desempenho e elevar o custo operacional.

Com essas informações, o CIO consegue apresentar à liderança quais iniciativas entregam resultados, quais exigem correção e onde novos recursos têm maior potencial de gerar valor.

Construa uma base para sustentar o retorno da IA

Demonstrar o ROI exige acompanhar o projeto desde a definição do problema até sua operação. Quando métricas, responsabilidades e critérios de continuidade fazem parte desse percurso, a empresa ganha melhores condições para priorizar investimentos e corrigir decisões.

A Axians pode apoiar essa jornada com uma visão consultiva que conecta estratégia de negócio, arquitetura, dados, segurança e infraestrutura. Essa atuação ajuda a avaliar a maturidade tecnológica, priorizar casos de uso e estruturar pilotos com objetivos mensuráveis, acompanhando custos e resultados durante sua evolução.

Converse com a Axians sobre como estruturar uma agenda de IA com critérios claros de valor e continuidade.

Perguntas frequentes sobre ROI em projetos de IA

Quando começar a medir o ROI de um projeto de IA?

Antes da implementação, com a definição do indicador de negócio, o registro do desempenho atual e a estimativa do custo total. A avaliação deve ser atualizada durante o piloto e a operação.

Quais custos entram no cálculo?

Além do modelo e das licenças, devem ser considerados dados, integrações, infraestrutura, segurança, capacitação, revisão humana e manutenção, dentro do período analisado.

Todo piloto precisa apresentar retorno financeiro imediato?

O prazo depende do objetivo da iniciativa. Projetos exploratórios podem ser avaliados inicialmente pelo aprendizado e pela redução de incertezas, com orçamento limitado e critérios definidos para avançar.